terça-feira, 4 de dezembro de 2012


O escritor Luís Fernando Veríssimo deixou na manhã de hoje a CTI e foi para um quarto normal, de acordo  com os noticiários locais, pois já apresenta boas melhoras em comparação ao quadro inicial, no momento da internação. É muito cedo para um escritor como o Veríssimo, ir assim de uma pra outra, ele tem muito a escrever a seus leitores ainda. 

Eu sou um fã dele desde tempos de escola quando ganhei um livreto chamado  "O rei do Rock" com várias crônicas inteligente e de muito bom humor. 


Esse texto que recebi por e-mail sendo de autoria do L.F. Veríssimo, mas não tenho certeza se é mesmo, vale a leitura.

"Ahhh. o Verão

Verão  também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre,  pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e  muita micose.
Verão é  picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho  cozido na água da torneira, é coco verde aberto  pra comer a gosminha branca. 
Verão é  prisão de ventre de uma semana e pé inchado que  não entra no tênis. 
Mas o  principal ponto do verão é.... a praia! Ah, como  é bela a praia.
Os  cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra  fazer coleção.
Os  casais jogam frescobol e acertam a bolinha na  cabeça das véias.
Os  jovens de jet ski atropelam os surfistas, que  por sua vez, miram a prancha pra abrir a cabeça  dos banhistas.
O melhor  programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo,  antes do sorveteiro, quando o sol ainda está  fraco e as famílias estão  chegando.
Muito  bonito ver aquelas pessoas carregando vinte  cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco  guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha,  bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que  estão de férias.
Em menos  de cinqüenta minutos, todos já estão instalados,  besuntados e prontos pra enterrar a avó na  areia.
E as  crianças? Ah, que  gracinhas!
Os bebês  chorando de desidratação, as crianças pequenas  se socando por uma conchinha do mar, os  adolescentes ouvindo seus MP5s enquanto dormem. 
As  mulheres também têm muita diversão na praia,  como buscar o filho afogado e caminhar vinte  quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo. 
Já os  homens ficam com as tarefas mais chatas, como  perfurar o poço pra fincar o cabo do  guarda-sol.
É mais  fácil achar petróleo do que conseguir fazer o  guarda-sol ficar em pé. 
Mas tudo  isso não conta, diante da alegria, da  felicidade, da maravilha que é entrar no  mar!
Aquela  água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes  de latinha de cerveja no  fundo.
Aquela  sensação de boiar na salmoura como um pepino em  conserva.
Depois  de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal  e a periquita cheia de areia, vem aquela vontade  de fritar na chapa.
A gente  abre a esteira velha, com o cheiro de velório de  bode, bota o chapéu, os óculos escuros e puxa um  ronco bacaninha.
Isso é  paz, isso é amor, isso é o absurdo do  calor!!!!!
Mas,  claro, tudo tem seu lado  bom.
E à  noite o sol vai  embora.
Todo  mundo volta pra casa tostado e vermelho como  mortadela, toma banho e deixa o sabonete cheio  de areia pro  próximo.
O  Shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça  com qualquer coisa, desde creme de barbear até  desinfetante de  privada.
As  toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a  casa da praia oferece. 
Aí, uma  bela macarronada pra entupir o bucho e uma  dormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo  e ralar as costas queimadas. 
O dia  termina com uma boa rodada de tranca e uma briga  em família.
Todo mundo vai dormir bêbado e  emburrado, babando na fronha e torcendo, pra que  na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo  possa se encontrar no mesmo inferno  tropical...
Qualquer  semelhança com a vida real, é uma mera  coincidência.

 (Luis  Fernando Veríssimo)

0 comentários:

Subscribe to RSS Feed Follow me on Twitter!