quarta-feira, 4 de junho de 2014

Dentre os  livros recebidos por doação para a mini-biblioteca Gira-Livros da Cursos Qualità, encontrei esse numa caixa: FUMAR OU NÃO FUMAR editado em 1970 e questiona a decisão de fumar ou não. A resposta hoje é óbvia: NÃO FUMAR!
Esse livro foi escrito pelo Dr. Ajax César da Silveira, editado e publicado pela Casa Publicadora Brasileira de Santo André/SP e esse faz parte da sexta edição. Li partes do livro e já nos anos 70, época da publicação, especialistas recomendavam não fumar, apesar da forte mídia e glamorização do ato de fumar: "É chique e elegante" diziam os outdoors e as propagandas com atrizes e cowboys do cinema.

Reproduzo aqui apenas a introdução do livro, observem que até a forma de escrita do português antes da reforma eu mantive para maior fidelização do texto:

"A Vingança dos Índios

Terminava o século XV e iniciava-se o século XVII quando os primeiros navios vindos do Velho Mundo começaram a aportar nas Américas então recém-descobertas. A sêde do ouro e coisas preciosas e semi-preciosas cegou os primeiros colonizadores, que não tiveram o menor constrangimento em massacrar as pobres criaturas que aqui viviam,  a fim de levar para a Europa tudo o que podiam.

E foi por causa dessa sêde de ouro que dois grandes impérios: Asteca e Inca, desapareceram como nação. Porém, os navios carregados de madeiras e pedras preciosas levaram as sementes e mudas do tabaco. Foi o que de pior podiam ter feito.

Foi no ano de 1492 que Cristóvão Colombo e seus marinheiros observaram, em Cuba, que os indígenas fumavam, queimando a folha de uma planta. Quem poderia imaginar que quatro séculos após, ou melhor, que nestes últimos 100 anos (pois o cigarro de papel foi inventado em 1870) este hábito haveria de dominar o mundo! Para maior desgraça, nestes últimos 40 anos, a mulher também iria aderir ao hábito de fumar.

Deve-se ao diplomata Jean Nicot, e a Catarina de Médios, a difusão do tabaco na Europa. Até clubes se fundaram para os fumantes. Bem cedo, porém, perceberam os europeus os males que o tabaco produzia, e os reis procuraram então inutilmente castigar os fumantes. Um dos reis de França, inimigo figadal do fumo, após um banquete que oferecera aos seus cortesãos, mandou servir charutos feitos com excremento de animais, e depois de ouvir os elogios a respeito dêstes charutos disse: “Maldito êsse vício que não permite ao homem reconhecer nêle o excremento de animais!”

Na Rússia o fumo foi combatido por causa dos incêndios que provocava. Na Turquia as penalidades eram pesadas. Até a amputação do nariz foi ordenada para evitar que o povo fumasse. Este é em resumo o relato de como o tabagismo invadiu a Europa, e depois todo o mundo, causando males que hoje se conhecem muito bem.

Quem sobrevoa o imenso território do Peru, da Bolívia e do México, pode ainda verificar as ruínas de grandes cidades como Cuzco, Machu-Pichu e outras mais, autêntica prova de grandes povos que foram dominados. No porão dos navios, a vingança dos índios foi levada em forma de planta que cada dia envenena mais os descendentes dos conquistadores. Um grito de alarma, porém, foi dado pe1a Sociedade Médica de Londres e pelo Departamento de Saúde Pública dos Estados Unidos.

Aquelas fôlhas que de início eram usadas como remédio, como panacéia na cura de muitas doenças, foram com o progresso da técnica, identificadas como inimigas da saúde, cheias de substâncias causadoras do câncer e de outras doenças.

Em artigo relativamente recente, publicado na Tribuna Médica (19-06-1959) , a Associação Médica Norte-Americana chegou à seguinte conclusão: Todo fumante inveterado sofrerá de câncer do pulmão, a não ser que qualquer outra doença venha a matá-lo antes. A esta mesma conclusão chegaram as sociedades médicas da Suécia, Holanda e outros países da Europa. Não é, porém, só o câncer o mal trazido pelo fumo; além desta, uma dezena de outras doenças podem ser adquiridas pelo uso do fumo. É por este motivo que o Presidente dos Estados Unidos baixou uma lei obrigando que em todos os maços de cigarro houvesse a legenda seguinte : (Cuidado; fumar cigarros pode ser danoso para sua saúde.)

Não cremos que qualquer pessoa sensata fôsse capaz de comprar um alimento que viesse com uma observância de que êsse produto poderia ser prejudicial à sua saúde. Mesmo objetos de uso pessoal como escôvas, dentifrícios, pentes, sabonetes etc., não encontrariam comprador, se tal advertência fôsse colocada no envólucro.

Não obstante, apesar de tal aviso constar em cada maço de cigarros, diàriamente novas vítimas gastam seu dinheiro para adquirir o veneno. Como explicar tal atitude senão como rebeldia do ser humano contra sua própria saúde?

Só depois das descobertas feitas por Pasteur, e outros "Caçadores de Micróbios," é que a humanidade pôde libertar-se das grandes epidemias tais como febre amarela, sífilis, varíola etc., que devastavam cidades e nações.

Assim, o fumo está hoje sendo identificado corno o Principal responsável por grandes males. Esperamos que em breve, com campanhas de esclarecimento público, a tabacomania que ainda é considerada como vício elegante, seja então vista como na realidade é: um vício que envenena, um vício que mata. O caminho mais sensato, Pois, é evitarmos os terríveis males que o cigarro pode nos trazer, conhecendo bem o funesto exemplo que os índios da América Central nos legaram. Fora, pois, com êste inimigo julgado e condenado à morte." 

Reprodução das páginas 9 a 11 do livro "Fumar ou não fumar" que foi escrito pelo Dr. Ajax César da Silveira, editado e publicado pela Casa Publicadora Brasileira de Santo André/SP

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