Quando me perguntam há quanto tempo eu trabalho com artes gráficas, eu costumo dizer: “desde a época em que Ctrl+Z era chamado de ‘começar tudo de novo’”.
Comecei no finzinho dos anos 80, numa era quase jurássica da criação. Nada de tablet, nada de mouse… era eu, a prancheta e a gloriosa caneta de nanquim — que, diga-se de passagem, borrava ou pingava tinta exatamente nos últimos traços do desenho, quando já não dava mais pra refazer sem chorar. Cada traço era feito com a precisão de um cirurgião… e o nervosismo de quem sabe que não existe “desfazer”.
Aí vieram os anos 90, e com eles a tecnologia invadiu a vida do artista gráfico. Conheci o lendário CorelDRAW 3. Aquilo parecia coisa de outro planeta! Você clicava, arrastava… e as coisas obedeciam! Era basicamente magia digital.
Mas calma, não era tão simples assim.
Pra salvar o trabalho, entrava em cena o poderoso disquete de 3,5”. Um dispositivo com incríveis 1,44 MB de espaço — ou seja, cabia um arquivo… talvez. Se tivesse muita sorte e pouca resolução. Quando não cabia, era aquele ritual: “Insira o disco 2”. Parecia que eu estava produzindo um filme de Hollywood em capítulos.
E claro, sempre tinha aquele momento emocionante:
“Será que salvou?”
Porque o disquete tinha personalidade. Às vezes ele simplesmente decidia que não queria mais viver — e levava seu trabalho junto.
Depois veio a evolução: o CD regravável! Aquilo sim era luxo. 700 MB!
Eu me sentia o dono de um data center. Gravava, apagava, regravava… até o CD começar a falhar misteriosamente e virar um belo objeto decorativo.
E então… o futuro chegou. O pen drive. Pequeno, rápido, confiável… e fácil de perder. Porque nada supera a tecnologia de colocar um arquivo importante dentro de um objeto menor que uma bala e depois esquecer onde colocou.
E enquanto isso, a tal da “nuvem” era tipo história de ficção científica. Algo que você ouvia falar, mas parecia tão distante quanto carro voador. Hoje em dia, se a internet cai, a gente já entra em crise existencial.
Resumindo: eu comecei desenhando à mão, passei por uma fase em que salvar um arquivo era uma aventura digna de filme de ação, e hoje trabalho num mundo onde tudo está a um clique — ou a um bug — de distância.
Então, quando alguém pergunta desde quando eu trabalho com artes gráficas, eu respondo:
“Desde quando salvar um arquivo exigia fé, coragem… e vários disquetes para compactar uma arte do Corel.”




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