Se alguém curte rock e ainda não ouviu Stormbringer, está perdendo uma fase bem diferente — e ousada — do Deep Purple.
Primeiro: esse disco foge do óbvio. Em vez de repetir o hard rock clássico que a banda fazia em álbuns como Machine Head, aqui eles misturam rock com funk, soul e até um pouco de R&B. Isso já abre a cabeça de qualquer fã do gênero — mostra que o rock pode ir muito além do “peso + guitarra”.
Outro ponto forte é a formação: é a chamada “Mark III”, com David Coverdale nos vocais e Glenn Hughes dividindo os vocais. Essa dupla traz uma pegada mais soul e emocional, bem diferente do estilo mais agressivo do Ian Gillan (da fase anterior). Vale ouvir pra entender como uma troca de vocal muda completamente a identidade de uma banda.
E claro, tem Ritchie Blackmore — mas aqui ele já estava meio insatisfeito com a direção mais “funky”. Isso cria uma tensão interessante no som: guitarras pesadas convivendo com grooves mais dançantes. É praticamente um disco de transição — e isso costuma gerar coisas únicas.
Faixas que justificam a audição:
- “Stormbringer” → abertura poderosa, ainda bem hard rock
- “Mistreated” → uma das músicas mais emocionais da banda
- “You Can’t Do It Right” → groove quase funk, bem fora do padrão do Purple
- “Soldier of Fortune” → balada acústica clássica
Resumindo: Stormbringer é importante porque mostra que até gigantes do rock experimentam, erram, acertam e evoluem. Não é o álbum mais “puro” da banda — mas justamente por isso é um dos mais interessantes.






