O legítimo churrasco gaúcho é muito mais do que assar carne. Ele é uma tradição ligada ao modo de vida do homem do campo no Rio Grande do Sul no sul do Brasil, quando os tropeiros e peões precisavam preparar uma refeição simples, usando apenas fogo, carne e sal.
O foco está na qualidade da carne, e não em marinadas ou
temperos elaborados.
Os cortes mais tradicionais são:
- Costela
bovina
- Costela suína
- Vazio
(fraldinha)
- Costelão
- Ponta
de peito
- Alcatra
- Picanha
(mais popular atualmente, embora não fosse o corte clássico dos antigos
gaúchos)
- Maminha
- Linguiça
campeira
Antigamente, era comum assar praticamente qualquer parte do
boi, conforme a disponibilidade.
Dica importante. Se a carne estiver congelada, tire a carne do congelador e a coloque mais abaixo na geladeira para descongelar naturalmente. Faça isso na hora de ir dormir, no dia anterior antes de assar.
O churrasco tradicional leva apenas:
- Sal
grosso (ou sal entre-fino)
Nada de alho, molho inglês, cerveja, vinho, ervas ou
marinadas. A ideia é preservar o sabor natural da carne.
Para frangos, use sal fino (com moderação) e algum tempero, para carnes suínas também use o sal fino e para o corte de rês, use sal grosso a vontade. Só não esqueça de bater o espeto com uma faca antes de servir, para eliminar o excesso.
Coloque o carvão em formato de vucão e para terminar ao meio dia, acenda o fogo as 10:30 da manhã, deixe queimando e as 11:00 coloque os espetos com a carne no fogo da churarsqueira. Se você estiver assando peças maiores, como um costelão, o assado pode levar até quatro horas para ficar pronto.
Originalmente, utilizava-se lenha, especialmente madeiras duras da região. Hoje também é comum usar carvão vegetal de boa qualidade. O importante é assar sobre brasas, nunca sobre chamas.
Assar lentamente
O churrasqueiro gaúcho não tem pressa. A carne assa lentamente e mantém toda a suculência.
Espeto, não grelha.
Tradicionalmente utiliza-se espetos de ferro. Antigamente, espetos de madeira verde. O espeto facilita o giro da carne diante do calor das brasas.
O churrasco gaúcho tradicional não costuma ter uma mesa
cheia de acompanhamentos.
Os mais comuns são:
- Pão
- Farofa
simples
- Salada
de tomate e cebola
- Alface
- Maionese
de batata
- Arroz
branco
Em muitas rodas de campo, o acompanhamento era apenas pão.
É comum encontrar churrascos com:
- Molhos
barbecue
- Chimichurri
- Queijos
- Abacaxi
- Alho
recheado
- Batatas
Embora sejam saborosos, esses elementos não fazem parte do
churrasco gaúcho tradicional.
No Rio Grande do Sul existe um ditado: "Quem faz o churrasco é o fogo." O bom churrasqueiro passa mais tempo cuidando das brasas do que mexendo na carne.
Uma dica importante:
Tem muita gente que prefere carne mal passada, é uma questão de gosto. Eu prefiro carnes bem assadas, até a carne não perder a suculência. É sempre bom lembrar que carnes mal passadas aind apodem transmitir doenças e verminoses, dependendo da sua origem.
Tradicionalmente:
- Chimarrão
antes do churrasco.
- Cerveja
ou vinho durante a confraternização.
- Em
algumas regiões, também se aprecia cachaça ou um bom vinho colonial.
Curiosidades
- O
churrasco gaúcho é anterior ao churrasco das churrascarias.
- As
grandes churrascarias surgiram no Rio Grande do Sul e difundiram esse
estilo para o restante do Brasil e para outros países.
- O
famoso rodízio é uma adaptação comercial da tradição campeira.
Existe um "ritual"
Um churrasco gaúcho costuma seguir esta sequência:
- Acender
o fogo e formar boas brasas.
- Preparar
os espetos.
- Salgar
a carne.
- Colocar
os cortes mais demorados primeiro (costela, por exemplo).
- Servir
a carne aos poucos, conforme cada corte atinge o ponto ideal.
- Conversar,
tomar chimarrão ou uma bebida e aproveitar a companhia — o churrasco é
tanto um momento de convivência quanto uma refeição.
Quer provar o legítimo churrasco gaúcho?
Traz a carne e a cerveja aqui em casa, que sal eu tenho!!!
Grande abraço pra vocês!








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